quinta-feira, 5 de junho de 2025

Agarrem-me que eu vou-me a elas!

 

 Depois do ex, agora novamente, presidente do Estados Unidos da América ter agarrado mulheres pela vagina, eis que também o nosso estimado presidente resolveu começar a agarrar mulheres, mas este pelo pescoço. Enfim, nós homens, para agarrar mulheres, temos de começar por algum lado, só desejando aspirar a, um dia, atingir a classe do sr. Presidente Trump. E pelo pescoço é um sítio honroso como qualquer outro.
   Há quem agarre pelo humor, há quem agarre pela apresentação, há quem agarre pela assertividade.  O nosso presidente Marcelo agarra pelo pescoço. Estranhamente a senhora não adorou o gesto. Não se percebe as mulheres.


NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Um dia não são dias

Amanhece! Discretamente, o sol rompe pelas ranhuras da persiana. A sua luz toca-me nos olhos, e muito suavemente vou acordando. Mais um dia começa! Um novo despertar cheio de supresas. O que este novo dia me trará? A dúvida invade a minha paz, e de repente, acordo! Abro os olhos e olho em meu redor. O que há poucas horas era um quarto sem luz, escuro e sombrio, agora se transforma no mais radiante dos lugares. O único onde verdadeiramente me sinto dono e senhor de mim próprio. Mas não por muito tempo.
Sem ter consciência do que me espera, levanto-me, faço todos os preparativos para a saída daquele lugar pacífico, sereno, e enfrento o mundo lá fora sem medo! Eu vou!
O pequeno-almoço é o costume: uma tigela de cereais com leite. A televisão mostra as desgraças que se passam no mundo. E estão cada vez mais perto de mim! Não posso desanimar e desistir assim tão facilmente, e por isso continuo com o planeado: Sair de casa!
No estacionamento o vizinho, à pressa para as suas responsabilidades, coloca o filho no carro, põe-lhe o cinto, fecha a porta, dá a volta, entra no carro e abala, mas não sem antes me acenar com a cabeça, como quem diz "Bom dia". Eu aceno em resposta e continuo caminho para o meu carro que me espera, impacientemente, desejoso de sair do sítio onde passou mais uma friorenta noite de Inverno. Entro no carro, e antes de fechar a porta, a minha vizinha: "Bom dia, vizinho!". "Bom dia, vizinha!", respondo com um sorriso em resposta ao simpático e aparentemente sincero sorriso dela.
Mas espera! Também eu tenho um filho. Que faço eu aqui? Há que voltar atrás, ir buscá-lo, e levá-lo à escola.
Aborrece-me imenso ir trabalhar, há outros assuntos pendentes, mas não há como fugir. Tem de ser! E lá vou eu!

A 'Sabelinha, que trabalha no café do Sr. Antunes, tira uns esplêndidos cafés, e é lá que vou antes das responsabilidades. Aquele sítio é como muitos outros, mas uma pessoa habitua-se aos sons, às caras, vozes, cheiros... É imperdível o som do moinho de café a moer os grãos, aquele cheiro, as vozes dos clientes: "Bom dia. É um café, por favor!", ou a Sabelinha: "Bom dia, Sr. Zé. É o costume?".
Bebo o meu! Leio os títulos do jornal. Acompanho com um cigarro. Infelizmente, cedo acordo para a realidade e ponho-me a caminho do inevitável, por muito que custe.
A estrada reflecte uma dolorosa claridade. Havia chovido durante a noite. Na berma da estrada dois carros batidos num aparatoso acidente. "Será que alguém ficou mal?" Mesmo que não me interessasse, sou obrigado a olhar, porque não há ninguém que não goste de assistir a uma pequena desgraça logo de manhã, para despertar. Desde que seja a dos outros! E olho. Os intervenientes do acidente encontram-se bem de saúde. Bem demais! Tenho os vidros fechados e a música ligeiramente estridente, mas mesmo assim ouço os gritos de um em direcção ao outro, e vice-versa, e assim continuam enquanto me afasto, lentamente, até porque não me deixam ir mais depressa. Cambada de curiosos sem vida própria!
O dia de trabalho começa sem novidades. As mesmas pessoas, o mesmo computador, os mesmo softwares, o mesmo tudo. Só a data ao canto do monitor me informa que algo está diferente.

São oito! São oito as horas que passam, por vezes devagar, outras mais depressa, o que não deixa de ser bom. No entanto, sem me dar conta, já tenho 30 anos e ainda ontem tinha 21.
Vou para casa, mas não sem antes passar pelo infantário buscar o míudo. Ali sim, é a azáfama da hora de saída. Todas aquelas crianças aos gritos, aos saltos, a brincar. Renova-me a esperança que um dia as coisas serão melhores, mais fáceis, mais simples, que algum dia foram para mim. Não que me considere um azarado, mas há certas coisas que não são fáceis, talvez para todos, mas eu não sou todos. Eu sou eu! A minha educação obriga-me a engolir sapos do tamanho de bois, mas não devia. Enfim... Levo o míudo à casa da mãe que é com ela que ele vive. Longe de mim separar uma criança da melhor coisa que pode ter: a mãe! Deixo-o lá e regresso à minha solidão. Tenho família e amigos. Posso sempre, depois do jantar, ir beber um café com alguns amigos, mas será suficiente?
Janto com a companhia do computador - engraçado como a evolução é. Há 60 anos a companhia de alguém era o parceiro ou parceira, desde há 20 anos que é a televisão e, hoje em dia, o computador. Há a Netflix, o YouTube, o Instagram, o Whatsapp... - Converso com alguns amigos e aí combino o café.

Saio de casa, mais uma vez encontro vizinhos pelo caminho. "Boa noite, vizinho!". "Boa noite!". Sempre com sorrisos de orelha a orelha que rapidamente se desfazem ao se afastarem. Não que se desgostem, mas também não há do que gostar, não nos conhecemos...
Lá fora chove desde o meio da tarde. Há já muitas horas que é de noite, mesmo que o telemóvel ainda marque 20h30. Apressadamente dirigo-me ao carro, abro a porta, entro. Fiquei completamente encharcado. Sacudo-me e coloco a chave na ignição. - Uma coisa muito importante dentro de um carro: a música! Tem de haver sempre música dentro do carro. E alta! De que outra maneira podia eu cantar em plenos pulmões sem me ouvir a grasnar?
Estaciono em local proíbido, mas o mais perto possível do bar onde nos vamos encontrar: eu, três amigos, e... ela! Ela vai lá estar. Havia confirmado a sua presença pouco antes de sair de casa, o que me deu mais algum ânimo e vontade de enfrentar a violência do vento e chuva que insiste em não cessar, causando pânico e distruição à minha volta. Mas sou egoísta e egocêntrico, e o sofrimento dos outros a mim pouco me diz. Já tenho o meu... e mesmo que não o seja, parece-me mais grave que qualquer outro.

Entro no bar. Pareço um pinto, o que me torna ainda mais sexy aos seus olhos, mesmo que a sua boca nada diga. Cumprimento toda a gente e sento-me à sua frente, mas não directamente. Isso seria muito mais constrangedor, dadas as circunstâncias. O namorado dela está ao seu lado e agarra-lhe a mão ainda com mais força à medida que me aproximo. Ouço o que conversam e começo a participar, lançamos piadas, rimos todos. Nenhum de nós sabe a infelicidade de vida que cada um dos outros tem, mas isso ali não é importante. O importante é o convívio e a boa disposição. Aquele curtíssimo espaço de tempo serve de escape à dura realidade que enfrentamos. Quando estamos ali, não queremos saber dos problemas dos outros, nem que os outros saibam dos nossos. Ali é para rir e falar de banalidades.
De repente sinto algo. O que é isto? Doi, mas... é bom! Sabe tão bem, mas... magoa! Um olhar perfurante, sensual... É discreto para todos menos para mim. É um desejo tornado realidade. Será? Será possível que ela esteja <de olho> em mim? Devolvo o olhar, mas não por muito tempo. Aquilo não pode estar a acontecer!

Um café, uma água das Pedras e três imperiais depois, estamos prontos para sair dali e rumar aos respectivos lares. Despedimo-nos uns dos outros muito rapidamente, excepto... ela! Quando nos vamos despedir com os  tradicionais dois beijos na face, demoramos mais tempo que o que seria normal, e ali ficamos, só encostados. Parece uma eternidade, no entanto passa tão depressa. Depressa demais. E acaba. Afastamo-nos em direcção aos carros e, quando estou a abrir a porta do meu, ouço o meu nome. É ela, e vem a correr para mim. O meu coração dispara e acelera para além do meu controlo. Os cantos da minha boca vão-se elevando, formando uma espécie de sorriso, num misto de felicidade e terror. Vê-la dirigir-se na minha direcção faz-me imaginar tudo aquilo que já havia desejado vezes e vezes sem conta. Um beijo! Um longo e molhado beijo entre nós. Antes de parar a sua marcha, ela abranda o passo, estica a mão direita, mas como está escuro, não percebo porquê. Penso que poderá querer abraçar-me, mas... Será? No que se aproxima diz: "Esqueceste-te do telemóvel". Esbocei o mais forçado dos sorrisos alguma vez visto e agradeci-lhe, enquanto o contacto visual se mantinha. E manteve-se durante o que pareceram horas. Aqueles olhos verdes contornados a preto, as longas pestanas, as sobrancelhas tão bonitas e bem arranjadas... Tudo à volta desapareceu, a minha visão afunilou para os mais lindos olhos alguma vez vistos, deixei de ouvir qualquer tipo de som ou ver qualquer tipo de imagem à minha volta. Só os olhos dela! Os carros passavam, mas só o sei porque já os tinha visto a descer a rua. De repente foi o nome dela que ouvi ao fundo do túnel, muito baixinho e, comecei a despertar. Outra vez o nome dela. Mas que raio?!!? Desta vez um pouco mais perto. À terceira foi de vez e ouvi a realidade daquele som que teimava em ser ouvido. Era o namorado dela que a chamava aos gritos no meio da rua, bem audível. Toquei-lhe no ombro e disse que tinha de ir. Também ela despertou do transe em que se encontrava, despediu-se com uma expressão de felicidade no olhar e afastou-se. Este foi sem dúvida, o momento mais constrangedor, alegre, feliz, assustador, aterrador, petrificante da minha vida.

Entro no carro, dou à chave, ligo o auto-rádio e vou-me. Cedo aquele acontecimento inunda a minha consciência, e fico a pensar no sucedido. Mas eu não quero pensar naquilo. É uma fantasia. Uma linda fantasia, mas sem o deixar de ser. Quero não pensar. Levanto o som. Ainda não chega. Mais um bocado. Não, ainda não. Mais, e mais, e mais, e mais, e mais... Até que já não noto diferença entre a música e o rasgar das colunas. O auto-rádio não dá mais, o som faz tremer as portas da frente e a chapeleira dos carro, onde moram duas potentes colunas, salta, toca no tecto do carro e volta para baixo, só para fazer o mesmo trajecto de novo. Aqueles olhos não me saiem da cabeça, então desisto. Momentos antes de me rebentarem os tímpanos, baixo o volume, e vou para casa a apreciar a música que me acompanha nas minha viagens, e a pensar na beleza feminina que me acompanhou numa noite de amizades, mesmo que ela própria acompanhada. E, apesar de tudo, sabe bem!

NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.


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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Nuvens

Nuvens!
Brasas incandescente que me encandeiam…
Pensamentos obscuros que me invadem o raciocínio lógico…
Chamadas anónimas no meu telemóvel…
Desenhos apagados em papel vegetal…
Vontade de nada, que não vacila…
Dores musculares incapacitantes…
Cadeira de três pés em que me sento…
Isqueiro sem gás…
Tudo isto são desconversas, gonorreias mentais de um insano, demente, alucinado. Devaneios provenientes do mais profundo dos sentimentos.
A frustração! O potencial do nada, o desequilíbrio psicológico sem história, a incógnita do que será o futuro, do que é o presente, e até mesmo do que foi o passado.
À falta de melhor temática, falarei do “Regresso às aulas”. Do não se saber do que falam. Do não saber para onde se vai. Do não saber de onde se vem.
Eu explico:
- Viemos de uma infância convenientemente camuflada por boas memórias, apesar da lembrança de alguns maus momentos.
- Falam de disparates que mais tarde muita falta vão fazer, muitos deles sem qualquer lógica aparente, outros pura e simplesmente sem nenhuma visível aplicação à vida real.
- Para onde vamos? Para um futuro que transborda de dúvidas, inconsistências e receios. Tudo com uma razão de ser: O simples facto de respirarmos!


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domingo, 1 de setembro de 2024

Um dia não são dias II

lê a primeira parte

Ouço um latido ensurdecedor. Os cães do vizinho não podem sentir ninguém, e o camião do lixo muito menos, já que emite aquele irritante e característico apito. Mas é tão cedo e eu não quero sair da cama. Abro os olhos. Ninguém! Olho em volta, e mais uma vez estou completamente só. Não gosto, mas como já vai sendo habitual, não estranho. Viro-me para o lado e adormeço por mais cinco minutos, que é precisamente o tempo que leva para que o meu horrível despertador comece a tocar aquele estridente som que me parece uma orquestra de grilos a guinchar dentro da minha cabeça. Acordo.
O sol ainda não nasceu, mas já se nota alguma claridade no ar. Inspiro fundo, bem fundo, e só isso parece ser suficiente para ganhar forças e enfrentar mais um novo dia.

Do quarto à casa de banho é num ápice, porque esta é uma daquelas manhãs muito frias. Abro a torneira da água quente enquanto dispo o pijama. Já quase não vejo o meu reflexo no espelho graças à densa neblina que se acumula. É bom! Significa que a água está bem quente, como eu gosto.
De volta ao quarto sinto alguma dificuldade em escolher o que vestir. Hoje nada parece ficar bem com o meu pneuzinho. De onde é que isto veio? Há 10 anos não estava aqui! Tento não fixar o olhar, nunca se sabe se não poderá crescer se se sentir observado. A roupa! tenho 
 rapidamente de escolher a roupa, mas nenhuma cor me agrada, nenhum género me agrada, nenhuma combinação me agrada. Visto o normal: Preto em cima, azul em baixo, e está feito! Brincos a condizer, o mesmo fio de sempre, e perfume esse, o mesmo de sempre. Hipnotizada pela minha imagem no espelho, penso se será sempre assim... Imagino-me velhota, numa casa antiga, sozinha com 50 gatos que brincam todo o santo dia com as teias de aranha espalhadas pelos cantos. Estou sentada na minha velhota cadeira de baloiço perto da janela, a olhar lá para fora onde jovens casais se passeiam de mão dada, abraçados, apaixonados aos beijos. E eu, na minha escura solidão de décadas, acaricio a mais velhota das minha gatinhas.
Desperto do transe e poucos segundos haviam passado. Apago aquela triste imagem da minha cabeça e continuo os meus afazeres.

O meu pequeno-almoço é leve, aliás como sempre: uma peça de fruta, uma torrada integral e um café. O pneuzinho sorri na minha direcção, mas tenho que me alimentar. Alimento-me enquanto quase choro com as desgraças que passam na televisão logo de manhã. Tenho de ignorar ou ainda liberto uma lágrima e borro a pintura, mas o tempo está todo controlado. Contenho-me, limpo-me e retoco-a muito rapidamente. Se demorar muito tempo, ainda me atraso para o emprego, e isso seria o fim do mundo.
Ouço nas notícias que da parte da tarde há grandes possibilidades de ocorrência de aguaceiros, que é assim que eles falam. Não podiam só dizer: “Agasalhem-se moços, que vai chover!”? Talvez não! Depois não se percebiam uns aos outros. Vou ao armário de parede buscar o meu casaco e, à saída, pego o guarda-chuva.
Já na rua, debaixo de um sol abrasador, encontro o meu vizinho: "Bom dia, vizinha! De guarda-chuva? Com este calorão?" – "Bom dia. Disseram que podia chover", respondo intrigada por vê-lo de t-shirt, descontraido e despeocupado.
 Vou para o carro, tudo corre dentro do planeado. Pelo caminho encontro um acidente do outro lado da estrada. A fila está enorme do lado de lá, cheia de curiosos sem vida própria, que parece que não têm sítio para ir, a observar os destroços, quiçá à procura de cadáveres para que o dia lhes corra melhor enquanto pensam: "Ainda bem que não sou eu ali!". Os intervenientes do acidente estão fora dos carros em claras demontrações de masculinidade, libertando largas quantidades de testosterona, tanta que até lhe sinto o odor.

Chegada ao emprego, pico o ponto e vou para o meu gabinete, enquanto aprecio todo aquele alvoroço matinal. Recebo montes de "Bons Dias", e outro tantos desejos de bom trabalho. Penso que será porque sou nova aqui. E até estou a gostar de cá estar, não fosse o facto de andar cronicamente aborrecida. Sinto a falta de algo, mas o quê?
A manhã passa rápido. Andei sempre atarefada. O almoço hoje é sandes de galinha e um néctar de pêssego. Se há coisa que me aborrece é cozinhar, especialmente só para mim.
No snack-bar, a D. Adelaide faz das suas. Vai dizendo as suas piadas e pregando as suas partidas enquanto serve a clientela, que ri a bandeiras despregadas. Observo aquilo e pergunto-me porque não sou assim tão bem disposta. Porquê? Se há alguns (não muitos) anos, eu o era? Tinha boa disposição e humor para dar e vender, mas hoje, não. Eu quero, mas não consigo, o que me deixa ainda mais triste.
De regresso ao gabinete. Mais quatro horas de papelada para despachar. Recebo um SMS. É um amigo a convidar para um copo logo à noite. Respondo prontamente que sim, até porque, para além de gostar da sua companhia, não tenho nada mais interessante para fazer.
Lá fora chove a cântaros, tal como anunciado. Na minha cabeça, o meu vizinho, de t-shirt, encharcado, a tremer de frio. Liberto uma audível gargalhada. As pessoas em meu redor olham para mim com indignação estampada na face. Coro e afasto-me graciosamente, só para rir mais um bocadinho. Há que aproveitar estes momentos. Têm sido raros.

Findo mais um dia de trabalho, apresso-me a ir para casa. Tenho de tomar mais um banho, escolher a roupa, os acessórios, o perfume, a disposição. Isto são coisas que levam o seu tempo.
Estou despachada. Levo companhia, claro. Não posso ir sozinha, e sempre que pode, ele faz-me companhia nestas saídas. "Vamos?", pergunto. "Não sei. Vê lá. Se ainda não tiveres atrasada o suficiente, posso esperar mais um pouco!" - diz o cabrão, num tom que nada me agrada. Vamos! Tivemos sorte. Conseguimos estacionamento mesmo em frente ao bar. Entramos. O meu amigo já lá está à nossa espera. Sentamo-nos. Ele trouxe outro amigo e diz esperar mais um. O meu coração acusa qualquer coisa. De repente e do nada, ganha vontade própria e quer saltar-me pela boca, parece querer fugir dali para fora. Engulo-o para que regresse ao seu lugar. Mesmo assim, está louco. Salta, salta, salta.

Ele também vem e... eu estou cá, e... como reagirei? Tenho medo! Estou aterrorizada, começo a aquecer. O suor escorre pelas costas. Eu sinto. Na esperança que ninguém tenha notado, finjo procurar algo na mala enquanto, muito discretamente, dou profundas inspirações, na tentativa de me acalmar. Passou. Por fim acalmei.
Ouço a porta a abrir. Alguém está para entrar. E entra. É ele! Fixo o olhar nele e nem reparo que está completamente encharcado do temporal lá fora. Pareceu uma eternidade, vê-lo entrar, sacudir as gotas do cabelo, despir o casaco, pendurá-lo e dirigir-se para a minha mesa com os olhos fixados em mim. Por outro lado, tudo me pareceu tão rápido. E foram tão rápidos os dois beijos na face que ele me deu. Sim, dois! Embora o meu desejo fosse só um, mas não na face... O meu amigo aperta-me a mão para que não transpareça tanto interesse. Dói. Que é o que me faz tomar consciência do ambiente. 
Bebo um chá, conversamos um pouco os cinco e olho para ele. Ele olha para mim. Sinto-me constrangida, mas não consigo desviar o olhar. Eu quero, mas não consigo. Nem ele! Porque será que me olha assim? Será que sente o mesmo que eu? A dúvida fica a pairar no ar, e desespero...
O tempo passou mais rápido que o desejado, pelo que, à hora de irmos embora, não consigo esconder o meu ar de desalento.
Ele levanta-se, despede-se e sai. Observo enquanto ele se afasta, com um enorme desejo de ganhar coragem para o interpelar e pedir-lhe que não vá, e fique comigo. Mas isso não acontece e ele desaparece para além da porta de saída. Nós também nos vamos retirar. Estamos à porta do bar quando, do nada, aparece o empregado empunhando um telemóvel: "É vosso?", pergunta. "É do nosso amigo", digo eu! E sem que ninguém pudesse evitar, arranco-lhe o telemóvel das mãos e começo a correr no sentido em que ele se dirigiu, na esperanças de ainda o encontrar. Vejo-o! Chamo pelo seu nome bem alto para que não ouse não ouvir. Ele ouve e vira-se para mim com o mais lindo dos sorrisos. Acalmo, e enquanto me aproximo, estendo-lhe a mão com o telemóvel, na esperança que a recompensa fosse um ofegante e profundo beijo. Mas não! Ao invés disso, ficamos embasbacados a olhar um para o outro durante horas. Durante esse tempo consegui contornar todos os traços da sua face, nariz, boca, com os meus olhos. É tão lindo!!!!!
De repente, sinto um arrepio na espinha. Ele tocou-me no ombro. Desperto e ouço um grito! Era o meu nome. Não se passaram horas, mas poucos segundos, e o meu amigo chamava o meu nome. Tinha de ir.
A minha companhia fala comigo, mas a única coisa que consigo fazer é olhar para ele com o mais estúpido dos sorrisos. Ele ri-se!
Enquanto me dirigo para casa, levo no pensamento a imagem de perfeição daqueles lábios. E penso, desejo, voltar a reencontrá-lo e esperar que um dia aconteça. Que um dia aconteça aquilo que senti que também ele quer, mas que, por alguma razão não o conseguimos.

Em breve a terceira parte...

NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

sábado, 17 de agosto de 2024

Sunga

   

   Sungas. Estou a pensar em sungas.
   Não! Não dessa maneira! Da maneira em que será que um homem a olhar para outro (de sunga, não esquecer), pensa: "hum... o que me ficava mesmo bem era uma sunga". Talvez, senão já não se usava. E se assim for, de certeza que foi uma mulher que inventou o calção de banho masculino.
   Não imagino ninguém, mas ninguém a olhar para um homem de sunga larga atrás e justa à frente, a agachar-se para apanhar uma concha sem imediatamente afastar o olhar com um bocadinho de vómito na boca. E o agachamento não é com os joelhos, não. É de cu espetado, mesmo à minha frente.
   É sexy, é maravilhoso, é inesquecível!


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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Serendipidade

 A quantos de vós já não aconteceu?
Tudo começa com um acontecimento considerado fortuito que nada parece significar, só para, mais tarde, se revelar a mais genial solução.
A mim já aconteceu. E mais que uma ou duas vezes! Não é que seja grande observador (que sou!), ou que tivesse à espera impacientemente da solução para o meu dilema (que por acaso até não estava), mas rapidamente me apercebi que era mesmo daquilo que eu precisava.
Hã? Não, claro que não vou especificar, mas só porque tenho outras coisas, e mais importantes para partilhar.

Depois desta genial introdução, Fonseca, o guarda-noturno destas instalações, decidiu fazer a já normal e rotineira ronda das 4 da manhã. Pega na lanterna e no bastão, que é a única forma de se defender de um qualquer intruso; não que se espere intrusos nestas instalações, mas nunca fiando... Arregaça a barriga para libertar um pouco de espaço entre a fivela do cinto e o cós das calças, limpa os restos de açúcar da bola de berlim da barbicha (bem aparada por sinal), e lá vai ele.
Durante os primeiros 5 metros tudo parecia bem, mas ao sexto metro, Fonseca já arfava, - tivesse ele estudado mais, e já não teria de subir toda aquela escadaria, dia após dia, noite após noite, mas tinha mesmo que acabar a ronda, era para isso que era pago!
MIAU!! - Fonseca salta dentro das suas calças, olha em redor mas não vê nenhum sinal de perigo. - MIAAAAUUUUU!!!! - cai para trás. Este foi sem dúvida alguma, o susto da vida dele, mas já no chão é acariciado por um gentil gato vadio, que ronrona feliz.
Fonseca recompõe-se e segue com a ronda. Apanha o chapéu, limpa-lhe o pó, ajeita as pilhas da lanterna, acende-a e aponta-a para a sua frente. O foco de luz emitido parece não querer fixar um ponto expecífico, e treme como varas verdes ao vento. Dá dois passos para a frente e um para trás, só por vias das dúvidas, não vá o dabo tecê-las. De repente, e sem que nada o fizesse esperar, Fonseca agarra as suas partes com alguma e considerável violência. Sem aviso nenhum, uma mijaneira enorme, e o WC ainda ficava a uns longíquos 10, 11 metros, pelo que Fonseca, agarrado à torneira com tal força para que nem uma gota vertesse, ia dando os mais largos passos que conseguia, enquanto o ensurdecedor chocalhar das chaves em conjunto com os 7.38€ em moedas que tinha no bolso ecoava pelos corredores, o que era extremamente distrativo. Chegado ao urinol, não podia esperar pela hora em que finalmente abriria o zipper das calças e se aliviasse, o que aconteceu, mas não um pouco tarde demais.
Não era grave. Nada que 15, 20 minutinhos ao ar não secasse. Ufa. Estava terminado e era hora de fechar o que tinha aberto. PUUUMMM!!! A porta dos lavabos fecha com violência no preciso momento em que o zipper já estava quase a meio caminho do topo. - MIIIAAAAUUUUUUUU!!!! - Raisparta o gato.


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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Exactamente isso!

Olá, sou estúpido!
Pois é! 21 anos de existência, e a única conclusão que consegui tirar sobre mim foi esta! E é tudo muito simples e fácil de explicar: Eu sou estúpido porque sim. Podem pensar que isto não é uma explicação lógica, mas se sou estúpido, desde já afirmo que não posso ter explicações lógicas. Para mim, quando perguntam:
- Então mas porque és assim?
A minha reposta só pode ser:
-Então... Porque sim!

Faz parte de ser estúpido não ter argumento para explicar a nossa opinião.
Pronto é só isto. Já leste tudo? Já? Tens a certeza? Não mintas a ti próprio!!!
Se achas que já leste tudo, continuas a ler porquê?
Isto é um texto estúpido, qual o interesse?
Descobriste alguma coisa neste texto relacionada contigo?
Vá já! Chega. Para de ler!
Se paraste de ler também és estúpido. Se eu tivesse a ler já tinha parado!



NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O que é a economia?

Respondendo muito rapidamente à pergunta que muito graciosamente ocupa  o lugar do título: Economia é a dita ciência que pressupõe o empobrecimento de uns para o enriquecimento de outros.

Assiste-se cada vez mais a este fenómeno no nosso país, mas não é isso que devia preocupar. O que é realmente preocupante é:
- Onde vamos brincar ao Carnaval este ano?
Pois é que com esta crise...
1º - Não há grande disposição para brincadeiras;
2º - Não há dinheiro para máscaras;

Felizmente temos dezenas... centenas de fatos low-cost espalhados pelas instituições de caridade que nos inundam as caixas de correio de publicidade. Não sei... Parece-me que, de acordo com a definição de economia, isto vai estimulá-la.
De alto a baixo!

NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Os meus problemas do coração

Antigamente as mulheres ficavam em casa, não iam para os cafés fumar.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a fazer o jantar, não reclamavam que os maridos não as levavam a jantar fora.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a cozer as meias dos maridos, não as compravam como prenda de Natal.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a tricotar camisolas de lã para os filhos, não as iam comprar a lojas de marca.
Antigamente as mulheres ficavam em casa no almoço, não iam votar e estragar papel.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a fazer bolos, não se depilavam nem maquilhavam.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a educar os filhos iguais aos pais e as filhas iguais às mães.
Antigamente não se falava em crise!

Daqui deduzo em conclusão que as pizzas de atum caseiras têm pouca cebola.


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Resolve os Problemas do AMOR


Antigamente as mulheres ficavam em casa, não iam para os cafés fumar.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a fazer o jantar, não reclamavam que os maridos não as levavam a jantar fora.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a cozer as meias dos maridos, não as compravam como prenda de Natal.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a tricotar camisolas de lã para os filhos, não as iam comprar a lojas de marca.
Antigamente as mulheres ficavam em casa no almoço, não iam votar e estragar papel.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a fazer bolos, não se depilavam nem maquilhavam.
Antigamente as mulheres ficavam em casa a educar os filhos iguais aos pais e as filhas iguais às mães.
Antigamente não se falava em crise!

Daqui deduzo em conclusão que as pizzas de atum caseiras têm pouca cebola.



NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

domingo, 23 de setembro de 2012

Tertúlia Cor-de-Burro-a-Fugir: Emoção de Viver

Tertúlia Cor-de-Burro-a-Fugir: Emoção de Viver: Toda a experiência de viver é uma aventura, por vezes novela, outras... filme de ação. Mas há certos episódios que transcendem essa aventu...





NOTA: Todo o conteúdo deste blog é baseado em factos reais sendo que se torna muito difícil distinguir a ficção da realidade.Todas as imagens neste blog são descaradamente roubadas aos seus legítimos proprietários. - Desculpem lá qualquer coisinha! - Se querem deixar o vosso desagrado façam-no aqui ou em: Tertulia Cor-de-Burro-a-Fugir no Youtube

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Olha a bolinha fresquinhaaaaaa!

Bolinha fresquinhaaaaaa!!!!
Parece que não é novidade a existência de Bolas de Berlim nas praias portuguesas, mas também parece que este ano está na moda comer este delicioso frito estupidamente carregado de açúcar debaixo do estorricante sol de verão.

E ainda se queixam de um gajo comer de boca aberta!

Se as Bolas de Berlim podem ser comercializadas na praia, porque não comercializar também feijoada, jardineira, ou para os mais calorentos, gaspacho. Aí ouvir-se-ia algo do tipo: "Olha o gaspacho fresquinho!! Fresquinho e bom. O melhor gaspacho desta praia!"
Deste modo, assim como deixei de levar as belas Bolas de Berlim, o que contribuiu bastante para não continuar com o irritante espalhar de açúcar pelas sandes de mortadela, também deixava de levar o gaspacho. O meu principal objetivo para os próximos 2 anos, é deixar de transportar a panela da feijoada junto das braçadeiras.

E ainda se queixam de um gajo comer de boca aberta!

Update: 
Ano 2024. E de repente vendem-se bolachas americanas na praia. Como se por cá não houvessem doces suficientes passíveis de se vender na praia como o Pastel de Nata, o D. Rodrigo, o Bolo de Arroz, o Queque, o Mil-Folhas...

E ainda se queixam de um gajo comer de boca aberta!


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sábado, 28 de julho de 2012

Emoção de Viver

Toda a experiência de viver é uma aventura, por vezes novela, outras... filme de ação. Mas há certos episódios que transcendem essa aventura. Falo, como é bastante óbvio, de pelar batatas.
Sim, descascar batatas tem tanto de emocionante como de perigoso. É inigualável a emoção de saber que a próxima batata será tão diferente da anterior. Inigualável é também cada facada que se disfere à batata. E por falar em facadas, e como não há emoção sem perigo...
Quantos dedos já se perderam a descascar batatas? Inúmeros!
Pois é! Constitui imenso perigo apontar uma faca a uma batata. Não digo que a batata riposte, mas o destino arranja maneira de se vingar.

Há quem diga, no meio da sua grotesca, no entanto inocente ingenuidade, que perigoso a sério é descascar cenouras, mas nada disso. É a batata! Porquê? Porque eu digo! E quem discordar come uns tabefes p'lo focinho!


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sábado, 21 de julho de 2012

José Hermano Saraiva

Eu não sei se José Hermano Saraiva foi um grande homem, se contribuiu para melhorar o estilo de vida em Portugal no 92 anos que cá andou. Não sei.
Eu não sei se este senhor não foi ofendido enquanto Ministro da Educação ou como professor. Não sei. Sei que assim como eu, muitos outros portugueses ficavam (e ficam) encantados a ouvir este homem falar.
Ouvi que muitos portugueses começaram a gostar de História graças a ele. Acredito e assino por baixo, por cima e dos lados, se necessário.
Aprendi muita da História de Portugal com os programas deste senhor, mas confesso que muitas outras vezes estava só a ver e ouvir a voz e não propriamente o que dizia, encantado com o entusiasmo.

Vi ontem, num especial da Alma e a Gente, que o Mosteiro de Alcobaça foi muito recentente adulterado, vi as fotos e fiquei chocado, mas o importante é o que ele sugeriu que se podia fazer para preservar e, quem sabe, rentabilizar o monumento:
 - Numa visita à Holanda, José Hermano Saraiva constatou que lá têm um Museu dos Descobrimentos, museu esse que expõe a Holanda como grande precursora dos descobrimentos dessa época. E que ao visitar Espanha, se passa o mesmo, com Cristovão Colombo enaltecido como o primeiro Descobridor.
 Ora sugestão do homem que frisou que o Mosteiro está completamente vazio, abandonado: Criar o nosso Museu dos Descobrimento e que revele toda a verdade sobre os Descobrimentos ao mundo

Concordo e acrescento uma sugestão genial: Criação de um imposto extra para tornar isso realidade.

Podia ser que os portugueses ao invés de importar costumes dos outros países, se concentrassem em elevar o seu próprio - Não me parece!!
Podia ser que os portugueses deixassem de comprar carros novos de 6 em 6 meses - Não me parece!!
Até podia ser que os governo deixasse de aplicar os impostos em coisas igualmente importantes como jantares, viagens para a família, carros, motoristas, inexplicáveis derrapagens em certas obras, etc. - Não me parece!!

Vai lá tu ser inteligente, honesto e justo neste país a ver se te safas! Ou morres à fome que te fodes, ou vives parvo que te lixas!


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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Caídos

Chegam a casa depois de mais um friorento e chuvoso dia de trabalho, o homem acende a lareira, a mulher acende umas velas no quarto. Ele tem fome, então prepara algo para comer enquanto ela  toma banho. A mulher acaba de se preparar para o que se segue, e o homem toma o seu duche rápido.

Encontram-se no quarto. Ainda sentem um leve arrepio do frio que se faz sentir, pelo que rapidamente se apressam a unir seus corpos num apertado e caloroso abraço. Os abraços passam a carícias, e as carícias tornam-se deveras excitantes. Assim não conseguem evitar o próximo acto de enorme intimidade.

E nessa friorenta e chuvosa noite acontece. Beijam-se.
O contraste dos gelados lábios com as quentes línguas provoca a inigualável excitação que ambos procuravam nessa friorenta e chuvosa noite. Os beijos tornam-se cada vez mais apaixonados, como se aquele dia passado longe um do outro antes tivessem sido anos.

Por entre beijos apaixonados, carícias ternurentas e uma forte vontade de sentir mais de seus corpos, ambos mantêm o ritmo que os leva a delirar de prazer - um prazer imensurável - um prazer só possível numa friorenta e chuvosa noite de Outono.

"
Lareira acesa. O jantar fora comprado minutos antes, uma vez que ainda estava conservado nos respectivos recipientes, para que não arrefecesse. Significava isto que poderia ainda demorar algum tempo até que fossem jantar. A televisão estava ligada, mas pouco se ouvia do que diziam aquelas pessoas que por ali deambulavam em mais uma manifestação «anti-qualquer coisa». A aparelhagem, essa sim, cantava os mais recentes êxitos da música pop, sempre na mesma estação de rádio, a preferida de ambos.

A luz do corredor estava acesa e um enorme nevoeiro se escapava pelas reentrâncias da porta entreaberta da casa-de-banho.
A porta do quarto estava aberta, completamente aberta. No chão vislumbravam-se duas toalhas semi-molhadas e roupas por vestir, ainda passadas a ferro. A cama estava viva: saltava! O colchão esticava e encolhia ao mesmo ritmo que as molas guinchavam. Do centro do colchão vinham gemidos. Uns pareciam de dor, outros eram definitivamente de prazer.
Fiquei confusa:
- Mamã? Papá? Tenho xixi!


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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ladrão que rouba ladrão

Não posso ligar o e-mail, Facebook, Google Reader, televisão que logo sinto ficar mais leve. É uma ilusão porque, na realidade, não é preciso saber das notícias para sentir a carteira a esvaziar.

Isto há já muito que dura, mas não sei se é da ganância, se é da escassez, mas...
... parece que cada vez roubam mais. Ou será que cada vez temos menos, o que parece mais?

No entanto, uma dúvida persiste na minha conturbada mente.
É a Europa que rouba, e o governo o roubado? É o governo que rouba ao povo? Ou à Europa? É o povo que roubou ao estado e agora é roubado? É o que foi roubado que roubou enquanto o roubavam?

Não sei. Mas uma coisa sei:
Todos nós aqui presentes vamos estar por cá daqui a 100 anos a tentar responder a esta questão.

"Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão"

© Joel Santinho

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sonhos Engarrafados - Parte 2





Os carros apitam desalmadamente lá fora. As pessoas gritam umas com as outras nas ruas lá em baixo. Para além da porta do apartamento um casal discute em alto e em bom som. Ouço, inclusive, o barulho de objectos a chocar uns contra os outros, e mesmo contra as paredes, mas já estou habituada. É isto todos os dias!
Mudo de roupa enquanto continuo atormentada com a mesma interrogação: Como rasguei a minha saia? De onde vieram uma cuecas azul-marinho que, claramente, não são minhas? Como fiquei com as minhas botas pretas todas sujas de lama? - Tudo o que vejo ao fechar os olhos é uma enorme ausência de acontecimentos durante a noite passada. Isso e o cabrão do pássaro que me cagou mesmo no meio dos olhos, há pouco. Mas tenho de, pelo menos, tentar descobrir.
O que faço? Posso começar por tentar descobrir como fui parar aquele descampado, até porque não conheço ninguém por aqui. Ainda não consegui encontrar trabalho, não fiz amigos. E a minha família está muito longe.
A promessa de uma vida repleta de prazeres ficou-se só por isso: uma promessa! Mais uma por cumprir.
Enfim... Há que seguir levantar o queixo e seguir em frente. Hã? Um chupão? No MEU pescoço? Como? Quando? Quem? Estou seriamente preocupada com o que me poderá ter acontecido ontem à noite. E não tenho ninguém a quem perguntar. O melhor é ir para a rua e tentar desanuviar. Tentar esquecer o que me atormenta pelo menos até me passar esta horrível dor de cabeça.

continua...


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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Novas/Velhas Oportunidades

O Programa "Novas Oportunidades" vais acabar.

De facto, a partir de agosto já não há "Novas Oportunidades" para ninguém. Tem lógica, já que as "velhas" oportunidades já há muito que acabaram, também.
Bom, mas o que interessa é que, quem aproveitou para aumentar o seu grau académico, tá safo, quem não aproveitou, ainda o pode fazer até agosto. Se quiser!
Pois acho que há quem possa precisar, quem precise, quem ache que precisa e quem não ache que precise.
Numa recente reunião entre formador e formandos, foi passada esta informação (a do término do programa), pelo que foi dada a hipótese de acabar a formação ou desistir. Até aqui, tudo bem. As respostas é que estranham (a meu ver). Se há quem não ache que precisa (porque na realidade este programa até é uma bela de uma tanga, no que à formação profissional diz respeito, mas a nível pessoal, é mesmo enriquecedor.
Dizer "Eu não preciso de nada disto" é o primeiro passo para se aperceber que realmente precisa. Mas tal não acontece. Pois estas pessoas não gostam de aprender (talvez por se terem convencido que já sabem tudo), e muito menos gostam de ensinar. São do tipo de pessoa que gosta de partir tijolo à cabeçada.

Sugiro:
- A criação de muitos postos de trabalho, aliviando o fardo da Segurança Social (S.S.)
- O contributo para o desenvolvimento do país, aumentando a produção
- A criação de um método amigo do ambiente com a redução de gases tóxicos para a atmosfera
Como? Simples!
É dar trabalho a estes marretas que gostam de partir pedra com os cornos e que, claro está, estão no desemprego, diminuindo drasticamente o uso de explosivos e gruas para a demolição de edifícios.
50 marretas a receber um belo de um ordenado - menos encargos para a S.S. - alinhados na base do edifício. Um marreta-mor faz a inauguração da demolição do edifício com a cabeçada de abertura, e logo de seguida, os 50 ex-desempregados pregam com os cornos nas paredes do moribundo edifício até o mesmo cair.


©  Joel Santinho


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terça-feira, 17 de maio de 2011

Tristezas não pagam dívidas

O mundo anda triste. Anda! Mas já dizia a minha avózinha: "Tristezas não pagam dívidas!"
Isto hoje em dia passa-se de um modo esquisito. Ora se há pessoas que só pensam em dinheiro (as que o têm e as que o querem), há as outras que pensam na felicidade ignorando o factor financeiro da sua vida. Claro que nem oito nem oitocentos. Que se arranje um meio termo.
O estado de espírito de cada um é influenciado pelo estado actual das coisas. Não obstante, geralmente há qualquer coisa boa nas nossas vidas às quais podemos dar a maior importância. E essa importância vai influenciar o nosso acordar.
Há quem acorde com sono, sendo que este é um mal geral. Os cinco minutos seguintes são cruciais para o resto do "acordar". O que acontece nesse período de tempo vai determinar o nosso humor para esse instante, por vezes até, para o resto do dia.
Há quem acorde irritado, dormiu pouco, dormiu mal, não vê as razões que tem à sua disposição para sorrir logo pela manhã.
Há quem acorde preocupado. Também este não vê as razões para sorrir e esperar pela altura certa para se preocupar.

Há quem acorde com uma tristeza tão grande que parece que todo o mundo lhe deve dinheiro, ou então, sendo das pessoas que não busca riqueza mas felicidade, parece que os astros estão contra o seu bem-estar.
Há quem acorde bem. Com sono, mas bem. E brinca, e sorri, e quer fazer sorrir, porque tem razões para isso, mesmo que por outro lado não as tenha. Tem!
- Como é que sabes o que é bom? Porque passaste/assististe ao mau!
- Como dás valor às coisas boas? Sabendo que as más existem!
Aqui se passa o mesmo. Acordas bem porque estás bem e sabes que vais passar pelo mau, sendo que é um alívio regressar a casa e descansar o corpo e mente.
Há várias dicas para se acordar bem disposto, sendo que eu acredito que a mais importante é mesmo o querer acordar bem disposto. Ouvir música logo pela manhã pode ajudar. Há quem não acredite, mas o exercício físico e uma boa alimentação também contribuem, e em muito para a boa disposição.
Para muitos estou a ser ingénuo e excessivamente optimista. Que me desculpem, mas esses são os piores. São os que acordam mal dispostos, não fazem exercício, comem mal e dizem que a música é irritante. O pior é que querem continuar a acordar mal, talvez porque gostem, talvez porque é a sua maneira de chamar a atenção.
Eu geralmente acordo bem disposto, e ultimamente, olho para o lado e tenho ainda mais razões para sorrir.
Ninguém é perfeito, mas gostava mesmo eu de seguir os bons conselhos. A vida correr-me-ia bem melhor.
Acordem bem dispostos. Têm, de certeza, razões para isso!


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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dito e feito - O início

Recentemente dei continuidade a uma crónica de nome "Coisas da Vida" iniciada pela minha namorada no blog do Tertúlia Cor de Burro a Fugir, à qual resolvi iniciar a abordagem séria e isenta a ditos e provérbio populares. No próprio blog do Tertúlia Cor de Burro escrevi de sobre o dito "Como se não houvesse amanhã...", expressão muito utilizada por todos nós, e posso desde já adiantar que também vai ser publicado no mesmo blog, o texto sobre "Onde o diabo perdeu as botas", expressão também muito utilizada por todos nós (mas só quando não recorremos a outras expressões com o mesmo significado).

Aqui vou dar continuidade a esse projecto deveras promissor, e inclusive, espero ter a sua (dela) colaboração. A ver vamos!

Resolvi começar com uma frase conhecida do público em geral: "A porta da rua é a serventia da casa".
Ora isto é uma maneira simpática de dizer: "Põe-te no ca$&$&o!" - de mandar alguém embora de um modo grosseiro, mas não muito. Mas... Porque há-de ser a porta da rua e não a janela, ou a porta para o quintal? Porra, que estes gajos eram bem específicos na sua maneira de mandar as pessoas pró ca$&$&o!!!


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