segunda-feira, 16 de abril de 2012

Caídos

Chegam a casa depois de mais um friorento e chuvoso dia de trabalho, o homem acende a lareira, a mulher acende umas velas no quarto. Ele tem fome, então prepara algo para comer enquanto ela  toma banho. A mulher acaba de se preparar para o que se segue, e o homem toma o seu duche rápido.

Encontram-se no quarto. Ainda sentem um leve arrepio do frio que se faz sentir, pelo que rapidamente se apressam a unir seus corpos num apertado e caloroso abraço. Os abraços passam a carícias, e as carícias tornam-se deveras excitantes. Assim não conseguem evitar o próximo acto de enorme intimidade.

E nessa friorenta e chuvosa noite acontece. Beijam-se.
O contraste dos gelados lábios com as quentes línguas provoca a inigualável excitação que ambos procuravam nessa friorenta e chuvosa noite. Os beijos tornam-se cada vez mais apaixonados, como se aquele dia passado longe um do outro antes tivessem sido anos.

Por entre beijos apaixonados, carícias ternurentas e uma forte vontade de sentir mais de seus corpos, ambos mantêm o ritmo que os leva a delirar de prazer - um prazer imensurável - um prazer só possível numa friorenta e chuvosa noite de Outono.

"
Lareira acesa. O jantar fora comprado minutos antes, uma vez que ainda estava conservado nos respectivos recipientes, para que não arrefecesse. Significava isto que poderia ainda demorar algum tempo até que fossem jantar. A televisão estava ligada, mas pouco se ouvia do que diziam aquelas pessoas que por ali deambulavam em mais uma manifestação «anti-qualquer coisa». A aparelhagem, essa sim, cantava os mais recentes êxitos da música pop, sempre na mesma estação de rádio, a preferida de ambos.

A luz do corredor estava acesa e um enorme nevoeiro se escapava pelas reentrâncias da porta entreaberta da casa-de-banho.
A porta do quarto estava aberta, completamente aberta. No chão vislumbravam-se duas toalhas semi-molhadas e roupas por vestir, ainda passadas a ferro. A cama estava viva: saltava! O colchão esticava e encolhia ao mesmo ritmo que as molas guinchavam. Do centro do colchão vinham gemidos. Uns pareciam de dor, outros eram definitivamente de prazer.
Fiquei confusa:
- Mamã? Papá? Tenho xixi!


NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ladrão que rouba ladrão

Não posso ligar o e-mail, Facebook, Google Reader, televisão que logo sinto ficar mais leve. É uma ilusão porque, na realidade, não é preciso saber das notícias para sentir a carteira a esvaziar.

Isto há já muito que dura, mas não sei se é da ganância, se é da escassez, mas...
... parece que cada vez roubam mais. Ou será que cada vez temos menos, o que parece mais?

No entanto, uma dúvida persiste na minha conturbada mente.
É a Europa que rouba, e o governo o roubado? É o governo que rouba ao povo? Ou à Europa? É o povo que roubou ao estado e agora é roubado? É o que foi roubado que roubou enquanto o roubavam?

Não sei. Mas uma coisa sei:
Todos nós aqui presentes vamos estar por cá daqui a 100 anos a tentar responder a esta questão.

"Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão"

© Joel Santinho

NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sonhos Engarrafados - Parte 2





Os carros apitam desalmadamente lá fora. As pessoas gritam umas com as outras nas ruas lá em baixo. Para além da porta do apartamento um casal discute em alto e em bom som. Ouço, inclusive, o barulho de objectos a chocar uns contra os outros, e mesmo contra as paredes, mas já estou habituada. É isto todos os dias!
Mudo de roupa enquanto continuo atormentada com a mesma interrogação: Como rasguei a minha saia? De onde vieram uma cuecas azul-marinho que, claramente, não são minhas? Como fiquei com as minhas botas pretas todas sujas de lama? - Tudo o que vejo ao fechar os olhos é uma enorme ausência de acontecimentos durante a noite passada. Isso e o cabrão do pássaro que me cagou mesmo no meio dos olhos, há pouco. Mas tenho de, pelo menos, tentar descobrir.
O que faço? Posso começar por tentar descobrir como fui parar aquele descampado, até porque não conheço ninguém por aqui. Ainda não consegui encontrar trabalho, não fiz amigos. E a minha família está muito longe.
A promessa de uma vida repleta de prazeres ficou-se só por isso: uma promessa! Mais uma por cumprir.
Enfim... Há que seguir levantar o queixo e seguir em frente. Hã? Um chupão? No MEU pescoço? Como? Quando? Quem? Estou seriamente preocupada com o que me poderá ter acontecido ontem à noite. E não tenho ninguém a quem perguntar. O melhor é ir para a rua e tentar desanuviar. Tentar esquecer o que me atormenta pelo menos até me passar esta horrível dor de cabeça.

continua...


NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Novas/Velhas Oportunidades

O Programa "Novas Oportunidades" vais acabar.

De facto, a partir de agosto já não há "Novas Oportunidades" para ninguém. Tem lógica, já que as "velhas" oportunidades já há muito que acabaram, também.
Bom, mas o que interessa é que, quem aproveitou para aumentar o seu grau académico, tá safo, quem não aproveitou, ainda o pode fazer até agosto. Se quiser!
Pois acho que há quem possa precisar, quem precise, quem ache que precisa e quem não ache que precise.
Numa recente reunião entre formador e formandos, foi passada esta informação (a do término do programa), pelo que foi dada a hipótese de acabar a formação ou desistir. Até aqui, tudo bem. As respostas é que estranham (a meu ver). Se há quem não ache que precisa (porque na realidade este programa até é uma bela de uma tanga, no que à formação profissional diz respeito, mas a nível pessoal, é mesmo enriquecedor.
Dizer "Eu não preciso de nada disto" é o primeiro passo para se aperceber que realmente precisa. Mas tal não acontece. Pois estas pessoas não gostam de aprender (talvez por se terem convencido que já sabem tudo), e muito menos gostam de ensinar. São do tipo de pessoa que gosta de partir tijolo à cabeçada.

Sugiro:
- A criação de muitos postos de trabalho, aliviando o fardo da Segurança Social (S.S.)
- O contributo para o desenvolvimento do país, aumentando a produção
- A criação de um método amigo do ambiente com a redução de gases tóxicos para a atmosfera
Como? Simples!
É dar trabalho a estes marretas que gostam de partir pedra com os cornos e que, claro está, estão no desemprego, diminuindo drasticamente o uso de explosivos e gruas para a demolição de edifícios.
50 marretas a receber um belo de um ordenado - menos encargos para a S.S. - alinhados na base do edifício. Um marreta-mor faz a inauguração da demolição do edifício com a cabeçada de abertura, e logo de seguida, os 50 ex-desempregados pregam com os cornos nas paredes do moribundo edifício até o mesmo cair.


©  Joel Santinho


NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.