quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Doutores da treta


Quem já cometeu o erro de fazer da sua experiência de vida, a vida dos outros?
Acredito que todos nós, uns mais, outros menos, já presumimos que o que é bom para nós, é bom para toda a gente, mas são os nossos amigos que levam com os nossos “disparates”. E quando se juntam duas pessoas em que uma não tem o dom da audição, e a outra carece do dom da aceitação, tá o caldo entornado. Dá chatice.
Para quem não sabe, isto é um cocharro. É de cortiça e provem de um nó do tronco de sobreiro. Serve para para beber água. Era muito encontrado na fontes.
Os supostos senhores doutores que pensam que sabem tudo só querem que os amigos sigam os seus conselhos visto que resulta. Mas para esses mesmos supostos senhores doutores!
Os queixosos queixam-se e, supostamente, procuram soluções, e só eles é que sabem como são e o que sentem. É verdade! Mas um passarinho disse-me que custa julgar-se certo nas suas convicções e não ter uma reacção afirmativa da outra parte. E será que é necessário sentir essa reacção? Em determinadas alturas, aquelas mais críticas, diria que sim. “Eu é que sei!” Mas noutras, aquelas, como esta, a frio, analisando o outro ponto de vista, diria que não. Diria mesmo que “cada pessoa sabe de si, e Deus sabe de todos!” – mas não digo que sou ateu.
Se por um lado o passarinho se interroga porque raio o amigo não aceita os seus conselhos, já que nem são esquisitos, nada de prejudicial à saúde, nem estranho - se não resulta pelo menos seguiu bons conselhos – por outro, porque raio há-de insistir com outro adulto, que só por si já se sente horrivelmente mal, numa mudança que essa pessoa não está disposta a fazer, até porque não acredita que é a solução para si?

Normalmente acontece isto entre amigos, em que um precisa de algum tipo de ajuda, e o outro disponibiliza-se a ajudar:

- Aiiiii!!!!! Tou mesmo mal. Doi-me tanto a mão.
- Não te sentes em cima dela, ora!!
- Não digas disparates. Isso comigo não resulta. Quando me doi a mão, doi mesmo e não há nada a fazer.
- É pá!! Então… Toma qualquer coisa para as dores, enquanto pensas numa solução mais viável.
- Não sejas ignorante. Não há solução para isto.
- Então merda!!! Corta a mão!!!!
- Lá tás tu com as tuas coisas!!!!

Aqui a dor na mão não desapareceu, e os amigos chateiam-se, sendo que o suposto senhor doutor não ajudou em nada, pelo contrário.

Por outro lado, uma conversa saudável entre amigos, em que um precisa de algum tipo de ajuda, e o outro disponibiliza-se a ajudar, seria:

- Tou mesmo mal. Aiiiii!!!!!!! Doi-me tanto a mão.
- Pois. Então vai a um médico, ou faz o que costumas fazer, nessas ocasiões.
- Yá.

E aqui ficamos felizes porque não houve chatices, embora a dor na mão permaneça.


2 comentários:

Anónimo disse...

Pois é!!! por vezes desabafar as nossas dores com amigos ou familiares tem dessas coisas....duas respostas HORRÍVEIS...." eu sei e as minhas dores..." ou " tu é que sabes faz o que melhor para ti" tu é que sabes o que melhor para ti..mas assim não pedíamos conselhos...não é.?

Ana Pereira disse...

O equilibrio é a chave de tudo na vida, cada vez mais acredito nisso. Os amigos devem dar conselhos e opiniões, desde que bem intencionados (ah, caso contrario não seria amigos né?) mesmo que o outro não goste muito, azar o dele, tu como amigo estás a fazer o teu papel.
Deves no entanto, e isto eu acho fundamental para que um conselho resulte ou pelo menos, que seja ouvido, OUVIR e COMPREENDER (ou tentar) o que o teu amigo diz do teu conselho...e depois podes refutar ou não o teu conselho...mas convém ouvir...e não atropelar com a insistência.

Dar conselhos é salutar, uma breve discussão sobre isso também. Dizer o que o outro quer ouvir é merda, não é amizade...mas lá está, é necessário ter em conta isto:
nenhum amigo sabe tudo, por isso deve saber:
- Ouvir o que o amigo tem a dizer, ou do que se queixa;
- Opinar com firmeza segundo a sua experiência;
- Ouvir a resposta do amigo;
- Adaptar a sua opinião e experiência ás necessidades do amigo.

...complicado? Fodsss, parece-me tão simples...