terça-feira, 25 de novembro de 2008

Há coisas que me causam uma certa confusão...

Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting, disse que "em pouco tempo, o Sporting morrerá".
Ora esta afirmação é, no mínimo, polémica. 
- E polémica porquê, poderá muito boa gente, perguntar, visto não ser assim tão óbvio?
- Porque não é mesmo!
- Polémica porque o "pouco tempo" é muito...
...relativo!
- 10 anos será pouco tempo? Para mim é uma eternidade.
- 6 meses já o será? Ainda acho que é muito.
Qualquer coisa acima do «já amanhã», é muito tempo para mim. No entanto, para um sportinguista, qualquer coisa abaixo de 100 anos, é pouco.
Mas esquecendo agora os sportinguistas, que para aqui não interessam nada, voltemos ao que realmente interessa e que acaba por ser uma razão para viver. - «O fim do Sporting!» - Essa imagem é, sem dúvida, algo que me devolve uma réstia de esperança na humanidade.
Já agora, Sr. Cunha, podia aproveitar a embalagem e, acabar com o FCPorto também. Se nos fizer esse favor, pode contar com o meu voto para Presidente da República, mesmo que não concorra.
E ganha!!


NOTA: Todo o conteúdo deste blog é da responsabilidade de um conjunto alargado de pessoas e respectivas atitudes, que sem muito esforço, conseguiram enlouquecer por completo o autor, provocando uma série de devaneios sem nexo, sem lógica e, definitivamente sem nenhuma razão de ser.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Alucinação Interminável - Parte 4

A viagem corria-lhe bem. Conhecera um salvador, que agora lhe fazia companhia.
O homem servia-lhe de guia, o que era fantástico. E lá seguiam eles, embriagados pelo que julgavam ser amor, mas que na realidade era o forte e nauseabundo fedor de cada um.
- À sua direita, temos a mais velha figueira da floresta. As suas folhas são do melhor que há para limpar o cu. - disse o homem.
- Ahh, que giro... - retorquiu Anacleta. Ao que o desconhecido continuou. - São boas por diversas razões. Uma, é que por serem largas, abrangem maior área que qualquer outra folha. A outra, é o líquido que libertam, que mata qualquer bicho.
Nisto, a velha tropeça na raiz de um Sabugueiro, deixando escapar-se um audível "Raíz do caralho!!!!".
- Sim, tem toda a razão! É chamada a Raiz do Caralho, e por duas razões. Porque dela se faz uma pasta que é do melhor para esquentamentos e, porque, como passa despercebida, muito boa gente a trata por Raiz do Caralho.
E assim foi durante algum tempo, até escurecer. O velho dizia e a velha espantava.
Era húmida, mas quente, escura, mas reconfortante, apertada, mas sossegada, tresandava, mas a algo apetitoso. A caverna onde se refugiou o casal, era tudo menos perfeita. Mas seria, dadas as circunstâncias. Não seriam bichos como os morcegos, as baratas, as formigas, os mosquitos, os escaravelhos, os escorpiões, as lagartixas, os grilos, as louva-deus, os ursos, nem mesmo uma bicha tarada, que iriam afugentar as hienas do único sítio das redondezas em que o denominador comum era o descanso. E foi num sono pacífico que toda a bicharada (claro que inclusive a bicha tarada) se deixou ficar até ao raiar do Sol.
Anacleta acorda sozinha, no meio de uma imensa porcalhice. Sobe a ceroula, ajusta a alça do pára-quedas, despe o saiote rasgado, ajeita os seus longos cabelos, apanha o resto da peruca do chão, dá um pontapé num javali para que este lhe devolva a dentadura, esbofeteia a bicha tarada, para que lhe devolva a bandelete, a mala, o top, a pulseira, os brincos, o batom e, o massajador corporal...
No exterior da caverna, a avózinha olha em redor. A vista é fantástica, toda aquela imensidão de onde se pode vislumbrar toda a floresta e, inclusivé, a aldeia de onde partira dias antes. Pena que tivesse sem os óculos.
Matilde, uma linda jovem, acorda em sobressalto, no conforto de sua cama. O sonho que estava a ter era muito mais que esquisito.
-"Uma velha pitosga, numa caverna com uma bicha tarada e um javali?" - pensou ela.
Respirou fundo, olhou-se ao espelho e viu a linda mulher com quem se tinha deitado. Quer dizer, ela própria! Porque a Matilda era muito fêmea! Suspirou e foi para um merecido banho a sorrir de contentamento.
Mal sabia ela que o verdadeiro sonho era aquele, e que a realidade era outra.
Anacleta acorda sozinha, no que poderia ser considerada a caverna mais porca da floresta. Aflita, sobe a
ceroula, ajusta a alça do pára-quedas, despe o saiote rasgado, ajeita
os seus longos cabelos, apanha o resto da peruca do chão, dá um pontapé
no javali para que este lhe devolva a dentadura, esbofeteia a bicha tarada, para que lhe devolva a bandelete, a mala, o top, a pulseira, os
brincos, o batom e, o massajador corporal e,...
... fica com a estranha sensação que já tinha passado por estes acontecimentos uma vez. Sem dar muita importância ao facto, segue em direcção ao exterior da caverna, olha em redor, e não vê nada da fantástica paisagem, tal como julgava que não ia ver, por não ter consigo os óculos com lentes de fundo de garrafão.
Estranha a sensação de conhecer estas mulheres, uma jovem e bonita, e outra nada jovem e muito menos bonita. Martinho sente um estranho sabor na boca, enquanto passa água gelada na face, na esperança de apagar estas lembranças de uma velha muito velha e as suas aventuras na floresta. Sem muito esforço consegue, aos poucos, apagar da memória, este terrível pesadelo. Liga a televisão e vê o que se passa na actualidade enquanto toma o pequeno-almoço. Pega nas chaves do carro e dirige-se à porta para abalar para o trabalho, já que o dever chama, e também o relógio que já está ligeiramente atrasado. Abre a porta e apoderam-se dele as piores sensações que alguma vez já teve. Aquela visão era familiar, mas aterradora. Ele conhece aquela imensa e cerrada floresta.