quinta-feira, 15 de março de 2007

Alucinação Interminável - Parte 1

Anacleta Papagaio era a anciã da aldeia. Uma senhora que aparentava quase 128 anos. Sábia, espertalhona, amiga... No fundo era boa pessoa, mas feia que nem um caixote de fruta podre, coitadinha. Vivia numa pequena casa perto do centro da aldeia, mais ou menos na Rua do Povo, Nº 3 (é só virar à esquerda na Rua da Igreja e à direita logo a seguir ao Café Central). A casa era quase tão velha como ela, aliás os avós dela nasceram lá! E lá foram muito felizes, gerando 15 filhos, 37 bastardos (12 da parte da mãe e 25 da parte do pai), que por sua vez lhes proporcionaram a imensa alegria de gerar 357 netos, entre elas a formosíssima "Avozinha", Anacleta Papagaio. Pouco se sabe da vida de Anacleta, menos ainda dos seus antepassados, mas ninguém na aldeia parecia importar-se muito com isso. As crianças faziam-lhe travessuras, os adultos fugiam dela como que se do diabo se tratasse, enfim... Era tudo boa gente!! Anacleta já fora casada. 12 vezes!! Mas não chegaram até nós informações exactas sobre os ex-maridos dela, a não ser o facto de serem quase todos homens. Enfim, uma vida atribulada, cheia de altos e baixos, como a de toda a gente! No dia que os historiadores pensam ter sido o dia do seu 128º aniversário (centésimo, vigésimo oitavo - pensavam que eu não sabia, hã?? he he he), eis que não quando, Anacleta Papagaio toma uma decisão: - Vou de férias!! Não é tarde nem é cedo, bem talvez tarde, mas vou tirar uma férias desta casa, desta aldeia, destas pessoas. E assim foi, arrumou a trouxa constituída por, mais coisa menos coisa: um cajado, um par de óculos, três pares de lentes de correcção de cor verde, 5 vestidos pretos, compridos, simples, em claro sinal de respeito pelos seus 8 ex-companheiros e 3 ex-companheiras, uma mini-saia rosa choque, para afastar os javalis, um top azul marinho para as horas de calor e, por fim, 5 mudas de ceroulas, para uma qualquer eventualidade. Nada foi deixado ao acaso pela "Avozinha", ia, na certa, passar umas longas e merecidas férias! No dia seguinte à famosa decisão (famosa sim, já toda a aldeia sabia. Eram mulheres a gritar, homens a chorar, crianças embriagadas... enfim.. um verdadeiro espectáculo!!! Sim, espectáculo, pois era comida à descrição, bebida à descrição, alegria..., não!!!! felicidade à descrição, sexo à descrição...). Anacleta pega na trouxa e abala, rumo ao desconhecido! Por trás deixava um rasto de destruição causado pelas crianças embriagadas e por várias dezenas de tarados sexuais, entre eles o padre da Paróquia que aproveitou para tirar a barriga de misérias. Olha uma última vez para trás, despede-se, e segue caminho. (continua...)

1 comentário:

Ana disse...

é só para nao ficares sem nenhum comentario!pronto, tá bem, era pra experimentar.